segunda-feira, 4 de junho de 2018

Intercambistas africanos oferecem ajuda a imigrantes resgatados no Maranhão

Estudantes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) estão contribuindo na comunicação com as autoridades brasileiras e também se solidarizaram com a realidade vivida nos países de onde vieram.


Os 25 imigrantes africanos que foram resgatados na costa maranhense estão recebendo a ajuda e solidariedade de estudantes universitários africanos que fazem intercâmbio na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Os estudantes ajudam na comunicação entre os refugiados e as autoridades brasileiras. Siaca Dabo, estudante que veio de Guiné Bissau, entrou legalmente no Brasil para estudar. Ele contou que entende o que é viver a realidade difícil nos países africanos.

“A população se encontra em uma situação carente. Hospitais precários, saúde pública nem se fala. Escolas caindo aos pedaços.... Então ali não tem outra explicação. Todos nós somos vítima da má governança”, afirmou.

O intercambista de Guiné Bissau, Siaca Dabo, disse que os africanos são vítimas da má governança (Foto: Reprodução/TV Mirante)
O intercambista de Guiné Bissau, Siaca Dabo, disse que os africanos são vítimas da má governança (Foto: Reprodução/TV Mirante)

No ginásio Costa Rodrigues, onde estão abrigados, os africanos resgatados tiveram o apoio de outros compatriotas. O estudante de Guiné Bissau, Marcelino Soares, disse que fez questão de ajudar com a comunicação entre eles e as autoridades brasileiras assim que soube do caso.

“Assim que eu soube dessa situação, eu percebi que o mínimo que eu poderia fazer era vir, pegar as informações básicas do que está aconteceu para ver o que, dentro dessas informações, eu posso me expressar no sentido de ajudar nessa conciliação entre governo e eles. Até porque vai ser um embate. A maioria deles vieram de países que eram de colônias francesas ou inglesas. Então a questão da comunicação da língua portuguesa ainda é uma barreira. Então estou aqui para facilitar essa comunicação”, afirmou.

Marcelino Soares (primeiro à esquerda) conversa com alguns dos africanos resgatados no Maranhão (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Marcelino Soares (primeiro à esquerda) conversa com alguns dos africanos resgatados no Maranhão (Foto: Reprodução/TV Mirante)


A esperança de uma vida melhor foi o combustível do grupo que ficou à deriva na costa maranhense. Mucqtaer Mansaray, de Serra Leoa, falou que se arriscou na viagem ao Brasil por conta da dificuldade financeira em pagar a universidade e pela realidade vivida em Serra Leoa nos últimos anos. Ele se diz estudante de ciência da tecnologia.

“Vim porque, no meu país, Serra Leoa, tivemos guerra. Depois da guerra, a chuva matou muita gente. Também teve ebola, a doença, e não houve possibilidade de pagar universidade”, explicou.

Mucqtaer Mansaray, de Serra Leoa, disse que se arriscou na viagem ao Brasil por dificuldades em pagar a universidade (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Mucqtaer Mansaray, de Serra Leoa, disse que se arriscou na viagem ao Brasil por dificuldades em pagar a universidade (Foto: Reprodução/TV Mirante)



Prisões
A Justiça Federal já decretou a prisão dos brasileiros Josenildo Nascimento e Silvio da Paixão Freitas. Segundo as investigações, os dois seriam ‘coiotes’ e teriam recebido dinheiro pra fazer o transporte ilegal dos africanos de Cabo Verde até o Brasil. A embaixada de Cabo Verde no Brasil informou que vai tomar medidas para reprimir esse tipo de tráfico de pessoas tendo o seu país como ponto de partida.

“Vamos, com certeza, usar os mecanismos de cooperação entre os dois estados de modo a que possamos prevenir e reprimir esse tráfico”, declarou o embaixador Domingos Dias Mascarenhas.

O historiador Henrique Borralho explicou que o Brasil é atrativo para quem foge das guerras, pobreza extrema e da grande instabilidade político-econômica na África.

“Em primeiro lugar, é o acordo internacional de recebimento de refugiados e imigrantes. Em segundo lugar, no caso de países de Língua Portuguesa, a facilitação com o idioma; e em terceiro, a questão do desenvolvimento econômico que, de fato, mesmo em crise, é melhor do que os países que vivem problemas econômicos e políticos, como o caso dos Africanos”, explicou.

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/intercambistas-africanos-oferecem-ajuda-a-imigrantes-resgatados-no-maranhao.ghtml

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