quarta-feira, 19 de junho de 2019

OAB/PE REALIZOU EVENTO SOBRE DIREITO MIGRATÓRIO









Na noite de ontem,18/06/19, a Subcomissão de Direito dos Refugiados presidida pela Dra. Emília Queiroz, realizou no plenário da OAB/PE uma palestra sobre direito dos refugiados, cujos palestrantes foram a Desembargadora Federal aposentada e Profa. da UFPE, Dra. Margarida Cantarelli e a Dra. Ingrid Zanella (Vice-Presidente da OAB/PE).

Estavam presentes vários atores do Comitê Interinstitucional de Proteção às Pessoas em Situação de Migração, Refúgio e Apátridas no estado de PE, entre eles: Dr. André Carneiro Leão (Defensor Público Federal - DPU e membro da Subcomissão de Direito dos Refugiados), Dr. Joelson Rodrigues (Secretário Executivo da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e JUventude do estado de PE), Amadou Toure (Presidente da Associação Senegalesa do Nordeste), José Inácio (designer de produtos e representante da comunidade vanezuelana), Altino Soares Mulungu (Gestor do Escritório de Assistência à Cidadania Africana em PE - EACAPE), Diógenes (Pana) e Hugo (Caritas NE 2).
Na oportunidade o Presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB, Dr. Hélio Costa, mencionou o protagonismo da OAB/PE na temática do Direito Migratório e parabenizou a formatazação do Comitê Internistitucional de Proteção às Pessoas em Situação de Migração, Refúgio e Apátridas no estado de PE.

O Defensor Público Federal, André Caneiro Leão, afirmou que a DPU (PE) não tem medido esforços no provimento das demandas migratórias pertinentes à assistência extra-judiciais.
O representante da Associaçao Senegalesa do Nordeste, Amadou Toure, agradeu o apoio e a dedicação do Defensor Público Federal, Dr. André Carneiro Leão.

O Escritório de Assistência à Cidadania Africana em PE (EACAPE), por intermédio de seu gestor, Altino Soares Mulungu, apresentou seu voto de confiança e otimismo em relação ao futuro, pois há oito anos atrás não tínhamos nenhum parceiro, hoje temos IMIP, DPU, Sociedade Consular de PE, Comissão de Assuntos Internacionais da ALEPE, Grupo de Trabalho Racismo do MPPE, NEAB/UFPE, NEABI/UNICAP e, recentemente, a criação do Comitê Interninstitucional de Proteção as Pessoas em Situação de Migração, Refúgio e Apátridas.

A palestra de Dra. Margarida Cantarelli destacou a importância da mobilidade humana, o direito migratório enquanto direito fundamental da pessoa humana. Citou o estatuto do estrangeiro - Lei 6815/80, que foi legislado na égide da segurança nacional, enquanto que a nova lei de migração - Lei 13.445/17, se baseou nos direitos fundamentais, no Estado Democrático de Direito.

No final do evento a Vice-Presidente da OAB/PE, Dra. Ingrid Zanella, destacou que a OAB sensível às crecentes demandas migratórias existentes no estado (venezuelanos e outras nacionalidades) teve a iniciativa de formatar a Subcomissão de Direito dos Refugiados.





sábado, 13 de abril de 2019

DPU participa de simpósio sobre refugiados e migrantes em Pernambuco

Recife - O simpósio “Refugiados e Migrantes em Pernambuco: como acolher e integrar?” chegou ao Recife nessa terça-feira (09) e segue até amanhã (11), com três dias de debates e oficinas sobre acolhimento e integração de refugiados e migrantes na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Representantes da Defensoria Pública da União (DPU) participaram da abertura do evento, do debate sobre a Política Nacional Migratória e de uma oficina com a mesma temática nesta quarta-feira (10).
Simpósio Refugiados
Mesmo com o início de algumas oficinas nessa terça-feira, a abertura oficial do evento ocorreu na manhã desta quarta, no auditório G1 da Unicap. O defensor público federal Pedro de Paula Lopes Almeida, que representou a DPU no Recife, compôs a mesa de abertura ao lado de João Akira Omoto, da Rede Nacional de Capacitação; Cláudio Henrique Dias, da Procuradoria da República em Pernambuco; Isabel Guimarães da Câmara Lima, da Procuradoria Regional da República da 5ª Região; Adriana Freitas Evangelista Gondim, do Ministério Público do Trabalho em Pernambuco; Sidney Silva, da Unicef; Altino Soares Mulungu, da Eacape; Manoel Moraes, da Unicap; e Dalva Oliveira, do Ministério Público da União.

“A Defensoria Pública da União tem adotado uma política de especialização temática com a criação de distintos grupos de trabalho, como o de Migrantes, Trabalho Escravo e Saúde, por exemplo. Então, esse simpósio dialoga em toda a sua extensão com a atuação da DPU”, destacou o defensor Pedro de Paula Lopes Almeida na mesa de abertura, onde cada membro teve quatro minutos para uma breve apresentação institucional.
O evento faz parte de um projeto chamado “Atuação em Rede: capacitação dos atores envolvidos no acolhimento, na integração e na interiorização de refugiados e migrantes no Brasil”. Segundo João Akira Omoto, a rede é composta por onze instituições de proteção de direitos humanos no país e esse projeto foi programado para ser executado em 18 meses. O simpósio já passou, em 2018, pelas cidades de Belém, Manaus, São Paulo e Boa Vista. Em 2019, já ocorreu em Porto Alegre e está acontecendo no Recife. As próximas cidades serão Curitiba em maio, Florianópolis em junho e Brasília até novembro.
Debates
A primeira mesa de debate teve como temática o contexto da Política Nacional Migratória e de Refúgio. Sob a coordenação de João Akira Omoto, cada participante da mesa teve 15 minutos para explanar sobre uma vertente da temática principal. O procurador regional da república Duciram Farena falou sobre a “Retrospectiva Histórica” do tema, o defensor público federal Gustavo Zortea sobre “Política Migratória Nacional”, a procuradora do trabalho Débora Tito sobre “Política Migratória e Direito ao Trabalho” e a consultora da ESMPU Cyntia Sampaio sobre a “Gestão Migratória em Nível Local”.
Simpósio Refugiados Gustavo Zortea
O defensor Gustavo Zortea, que atua na Categoria Especial e é coordenador do GT de Migração da DPU, apresentou números da migração e refúgio no Brasil; especificou os atores envolvidos e suas responsabilidades nos pedidos de autorização de residência, refugio, visto e asilo político; falou sobre a falta de representatividade dos imigrantes na elaboração e acompanhamento das políticas migratórias; questionou sobre qual política nacional se quer; e elencou sugestões para materializar essa política nacional migratória.

“No âmbito federal nós temos hoje uma política nacional migratória que acaba tratando mais das questões de regularização, do status da pessoa dentro do território nacional. Há também algumas políticas que se estabelecem via comitês nos Estados e Municípios, que se ocupam mais da questão da integração local, para que essas pessoas não apenas venham, mas para que elas possam ser devidamente acolhidas e se estabeleçam no território”, disse Gustavo Zortea, complementando. “Não adianta garantirmos a vinda e não provermos formas dessas pessoas permanecerem e contribuírem com o nosso país.”
Oficina
A oficina “Nova Lei de Migração, Lei do Refúgio, Direitos e Acesso à Justiça” foi promovida pelo defensor público federal, Gustavo Zortéa, e o procurador regional da república, Duciran Farena, na tarde desta quarta-feira (10), em sala do 7º andar da Unicap. Os participantes, inicialmente, responderam um questionário com suas percepções sobre o tema: Você conhece a nova Lei de Migração? Há quanto tempo atua na área migratória? Qual o aspecto você entende que deva preponderar em tema de migrações? Qual a porcentagem da população brasileira é composta de imigrantes?, estavam entre as perguntas. Logo após, Farena, também integrante do GT de Migrações do Ministério Público Federal (MPF), alertou que a maioria ao responder essas questões tem uma percepção errada sobre a proporção de migrantes e o tratamento dado aos estrangeiros.
Zortéa fez uma breve exposição dos temas centrais da oficina como a diferença entre migrantes e refugiados ou visto e autorização de residência, no tratamento dado pela nova Lei de Migração (Lei Nº 13.445, de 24 de maio de 2017) e pela Lei de Refúgio (Lei nº 9.474, de 22 de julho de 1997) e sobre a atuação da DPU na orientação jurídica, promoção dos direitos humanos e defesa em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados (Art. 134, da Constituição federal). “Também podemos estender para grupos vulneráveis, a situação em que se encontram os migrantes”, explicou.
Outra questão atual que também foi tratada foi a da concessão de refúgio ( Art. 1º da Lei nº 9.474) para venezuelanos, com base em grave e generalizada violação de direitos humanos. “Nós só estamos obtendo autorização de residência e não de refúgio”, comentou. Por fim, o defensor ressaltou a importância desse evento da atuação em rede de capacitação de atores da sociedade civil e do estado sobre a temática migratória, para difundir e aprimorar a gestão dos migrantes em Pernambuco.
ACAG/JRS/MRA
Assessoria de Comunicação Social
Defensoria Pública da União

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

CARPINA PRESENTE NA ENTREGA DO TÍTULO REFERÊNCIA PERNAMBUCANA


Na noite da última sexta-feira, 22/02/19, a ONG "Associação Ressurreição Alimentando Vidas" realizou a solenidade de entrega do Título Referência Pernambucana aos melhores profissionais do ano de 2018, no auditório do Hotel Manibu em Boa Viagem Recife - PE.

Segundo Helena Almeida, Vice-Presidente da Associação Ressurreição Alimentando Vidas, a escolha dos nomes seguiu o critério da meritocracia, selecionando os melhores profissionais que se destacaram em 2018 no estado de Pernambuco. 

A Associação contemplou profissionais dos mais variados segmentos, tais como advogado, empreendedor, artista plástico, modelo, bailarino, blogueiro comunicador, conselheiro tutelar, escritor, poeta, jornalista, profissional de beleza, policial militar, empresário, professor universitário, entre outros.

A solenidade teve a apresentação brilhante de uma jovem cantora gospel, Cecília Mirelly, e da banda Xinelo Rasgado.   

O evento foi excelente, alcançando o sucesso esperado, 105 contemplados com o Título Referência Pernambucana, muitos convidados e parentes dos homenageados.

Dentre os contemplados estavam dois carpinenses, o jornalista Ramos e Silva - Diretor Executivo do Jornal Voz do Planalto e Vice-Presidente da Associação de Imprensa de PE (AIP)  e Altino Soares Mulungu - bacharel em direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), pós-graduado em Diplomacia e Negócios Internacionais pela Faculdade Damas (Recife), Ex-membro Colaborador da CDIR da OAB/PE, Conselheiro de Direitos Humanos do Recife, Membro da Comissão de Enfrentamento ao Racismo e Ações de Políticas Afirmativas da UFPE e Gestor do Escritório de Assistência à Cidadania Africana em PE (EACAPE).

No final da solenidade, Patrick Barbosa e Helena Almeida (Presidente e Vice-Presidente respectivamente da Associação Ressurreição Alimentando Vidas) foram cumprimentados pelos homenageados e demais presentes por terem contraído nupcias e, em seguida, o belíssimo bolo de casamento foi saboreado por todos presentes.





sábado, 14 de julho de 2018

PLATAFORMA DE GRUPO MIGRANTES E REFUGIADOS FORMATADA EM PERNAMBUCO



O vetor de formatação do Grupo Migrantes e Refugiados foi a chegada em PE dos  69 venezuelanos no último dia 03 de julho, sendo 33 adultos,13 crianças, 13 bebês e 10 adolescentes , no total de  18 famílias que ficaram alojadas na ONG Aldeias Infantis, Igarassu (PE). 
Esta estratégia de interiorização dos imigrantes foi promovida pelo governo brasileiro em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Organização Internacional de Migração  (OIM) e o Fundo das Populações das Nações Unidas (UNFPA).

Em Pernambuco esta iniciativa foi protagonizada pela Arquidiocese de Olinda e Recife (Bispo Auxiliar Dom Limacêdo Antonio da Silva) e a coordenação da Pró-Reitoria Comunitária da UNICAP (Padre Marcos Augusto Mendes).
No dia 06 de julho foi realizada a primeira reunião coordenada pelo Pró-Reitor Comunitário, Padre Marcos Augusto Mendes, com as presenças do membro do Ministério Público, Promotor Marcos Aurélio; representante da Caritas Brasileira NE 2, Wagner Ferreira Cesário; Conselho Regional de Psicologia, Conceição Pereira; representante do Escritório deAssistência à Cidadania Africana em PE, Altino Soares Mulungu. Na oportunidade foi abordado o provimento dos direitos fundamentais das crianças, adolescentes e adultos, tais como: alimentação, moradia, trabalho, saúde, educação e lazer, entre outros.

O EACAPE mencionou a presença da comunidade senegalesa no comércio informal do Recife e interior de Pernambuco, bem como a presença de universitários intercambistas africanos de diversas nacionalidades nas UFPE, UFRPE e UNICAP.
No final do encontro foi deliberado que no dia 10 de julho faríamos uma visita aos imigrantes venezuelanos na OG Aldeias Infantis em Igarassu-PE, com a presença do Bispo Auxiliar da Aquidiocese de Olinda e Recife, Dom Limacêdo Antonio da Silva.

Na terça-feira passada, 10/07/18, o Grupo Migrantes e Refugiados  constituído pela Pró-Reitoria Comunitária da UNICAP, Cátedra Dom Helder Câmara da UNICAP (Prof. Dr. Manoel Moraes), Clínica de Direitos Humanos da Faculdade Damas (Prof. Dr. Luis Emmanuel),  Ministério Público de PE (Ex-Procurador Geral Dr. Aguinaldo Fenelon), Defensoria Pública da União ( Dr. André Carneiro Leão), Conselho Regional de Psicologia de PE, Caritas Brasileira NE2, Escritório de Assistência à Cidadania Africana em PE e o Bispo Auxiliar Dom Limacêdo Antonio da Silva foram recebidos pela coordenação da ONG Aldeias Infantis, que ciceroniou a nossa visita as 18 famílias alojadas em 7 casas no condomínio da organização. Cada casa, com 2 pavimentos, tem capacidade para 10 pessoas e com 5 quartos, 2 banheiros, sala e cozinha.

Vale ressaltar que, das 69 pessoas que permaneceram em Pernambuco, 13 têm até 5 anos.
No final da visita o Bispo Auxiliar Dom Limacêdo Silva e o Grupo Migrantes e Refugiados foram convidados pelo reitor do Convento Santo Antonio para conhecer o belo acervo religioso  em seguida foi servido o almoço.


quinta-feira, 14 de junho de 2018

FESTA DAS NAÇÕES OPORTUNIZA VISIBILIDADE A CULTURA AFRICANA EM RECIFE



No último final de semana, sábado (09) e domingo (10) de junho se realizou  a terceira edição da Festa das Nações, protagoniza pelo Lions Internacional por intermédio de sua Assessoria Distrital de Relações Internacionais, em colaboração com o Corpo Consular do Brasil, consulados acreditados em Recife da Albânia, China, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Finlândia, Japão, Malta, Nicaragua, República Dominicana, Rússia, Turquia e, entidades  culturais como a ICAC - instituto Centro de Cultura Amaricana, Centro Cultural Dante Alighieri, Gabinete Português de Leitura, Instituto Confúcio de PE, Centro Cultural Brasil Rússia, Companhia Dança Karina Leiro, Escritório de Assistência à Cidadania Africana em PE (EACAPE), Associação Senegalesa de PE e Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão.
Os mesmos apresentaram exposição de objetos típicos dos países participantes, os quais puderam divulgar as oportunidades de turismo, além da cultura e civilização.

Em relação a apresentações culturais tivemos Dança Flamenca - Companhia Dança Karina Leiro (Espanha); Aikido, dança com Leques e Laido - arte com sabre (Japão); Tarantela - dança típica italiana (Itália); Dança Kalinka (Rússia); desfile de moda africana (Senegal).

Vale ressaltar a participação estratégica da Associação Senegalesa de Pernambuco e do Escritório de Assistência à Cidadania Africana em PE (EACAPE), representantes da multiculturalidade africana. Os mencionados atores compartilharam um stand que teve uma dinâmica diferenciada, disponibilizando à venda tecidos, roupas, artesanato e bijuteria genuinamente senegaleses. O stand compartilhado da Associação Senegalesa de PE e do Escritório de Assistência à Cidadania Africana em PE (EACAPE) recepcionou Dr. Lamartine Hollanda Junior (Cônsul Geral da Albânia e Assessor de Relações Internacionais do Lions), Sr. Jiro Maruhashi (Cônsul Geral do Japão), Dr. Gustavo Hollanda (Advogado e Presidente de Honra da Sociedade Consular de PE), Dr. Gilberto Flávio de Azevedo Lima (Advogado e Cônsul da Finlândia), Prof. Dr. Gustavo Delgado (Coordenador de Relações Internacionais da Universidade Estácio), Prof. Dr. Pedro Ferrer (Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vitória de Santo Antão), Prof. Dr. Luis Emmanuel (Faculdade Damas e UNICAP) e Prof. Dr. Pedro Paulo Procópio (Faculdade Damas).

No domingo à tarde a Associação Senegalesa de PE e o Escritório de Assistência à Cidadania Africana em PE (EACAPE) protagonizaram o desfile de moda africana com cerca de quinze jovens modelos afrodescendentes com a grife do jovem estilista senegalês Lasssana Mangassouba, que contagiou o público presente com trajes típicos.


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Solicitantes de refúgio terão novo documento provisório no Brasil

Solicitantes de refúgio terão novo documento provisório no Brasil

Chamado de Documento Provisório de Registro Nacional Migratório, ele será emitido gratuitamente pela PF, mas ainda depende de regulamentações complementares
Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)

Nos próximos meses deve entrar em circulação no Brasil o Documento Provisório de Registro Nacional Migratório. Ele está previsto no Decreto 9.277/18, assinado na última segunda-feira (05) e publicado no Diário Oficial da União do dia seguinte.
Voltado para solicitantes de refúgio, ele será emitido gratuitamente pela PF (Polícia Federal) e entregue junto com o protocolo do pedido de refúgio. O novo documento será válido enquanto durar o processo de solicitação de refúgio e terá os mesmos efeitos do atual protocolo – entre eles, o direito do solicitante de refúgio de tirar CPF e carteira de trabalho, abrir conta bancária e a ter acesso a serviços públicos como educação, saúde, previdência e assistência social.
De aparência frágil, o atual protocolo de solicitação de refúgio é basicamente um papel com uma foto do migrante, que não pode ser plastificado. E embora a legislação brasileira o reconheça como documento válido, muitas instituições públicas e privadas resistem ou mesmo se recusam a aceitá-lo. Esse fato costuma criar grandes problemas para os migrantes que solicitam refúgio no Brasil e tem nesse protocolo a única comprovação de seu status migratório no país até o parecer do Conare (Comitê Nacional para Refugiados), que julga as solicitações no Brasil.
Ao fazer o pedido de refúgio no Brasil, o solicitante recebe um protocolo como esse, que passa a ser seu documento provisório no Brasil até o julgamento do processo pelo Conare.
Crédito: Fellipe Abreu/Pacto Global
“O avanço do documento para o solicitante de refúgio, na forma de um “RNM (Registro Nacional Migratório) provisório” como foi divulgado pelo decreto, vai dar mais garantias a ele. Ou seja, ele vai ter um “documento com cara de documento”, o que vai servir para dar mais segurança jurídica ao solicitantes de refúgio”, resume o defensor público João Chaves, coordenador da Área de Migrações e Refúgio da DPU-SP (Defensoria Pública da União em São Paulo).
Como será?
O documento deve começar a ser emitido até o mês de outubro, em formato que ainda vai ser definido por portaria da Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça. Mas o decreto já indica que ele deve conter:
  • número do protocolo gerado pelo processo de pedido de refúgio;
  • dados biográficos e biométricos do migrante solicitante de refúgio;
  • código de barras no padrão QR code, que permite consultar a validade do documento;
  • informações de que o titular “não poderá ser deportado fora das hipóteses legais” e “tem assegurado os mesmos direitos dos migrantes em situação regular no país”.
O decreto frisa ainda que o documento provisório não substitui os documentos de viagem internacional dos migrantes.
O que pensam os migrantes?
Migrantes ouvidos pelo MigraMundo ainda mostram certo ceticismo com o novo documento e seus benefícios.
“Ele tem os mesmos efeitos do protocolo hoje em dia. Talvez a diferença seja que esse documento não vai ser um papel como o protocolo. Tenho amigos que conseguiram abrir pequenas empresas com o protocolo”, comenta o jornalista congolês Christo Kamanda, após ler o Artigo 3º do decreto. Ele obteve o status de refugiado no Brasil e ficou um ano tendo o protocolo como documento.
“Se for um documento provisório até o resultado da solicitação de refúgio, é magnífico. Mas e se o pedido for negado? Mais uma vezes criam-se expectativas”, questiona a advogada boliviana Ruth Camacho, que atua com migrantes.
Questionado sobre uma possível perda de validade do documento após uma primeira negativa do pedido de refúgio por parte do Conare, Chaves ressalta que o processo só termina com a decisão final do Ministério da Justiça, depois de esgotados os recursos administrativos.
“A tendência que vejo é que o número e a validade do documento sejam mantidas até a decisão final sobre o Obviamente caso haja um entendimento diverso, é possível a judicialização. Mas em princípio não há nenhum indicativo que haveria perda imediata, e que deve prevalecer o entendimento de que a identificação é válida até o julgamento final do recurso”.
FONTE: http://migramundo.com/solicitantes-de-refugio-terao-novo-documento-provisorio-no-brasil/

Intercambistas africanos oferecem ajuda a imigrantes resgatados no Maranhão

Estudantes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) estão contribuindo na comunicação com as autoridades brasileiras e também se solidarizaram com a realidade vivida nos países de onde vieram.


Os 25 imigrantes africanos que foram resgatados na costa maranhense estão recebendo a ajuda e solidariedade de estudantes universitários africanos que fazem intercâmbio na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Os estudantes ajudam na comunicação entre os refugiados e as autoridades brasileiras. Siaca Dabo, estudante que veio de Guiné Bissau, entrou legalmente no Brasil para estudar. Ele contou que entende o que é viver a realidade difícil nos países africanos.

“A população se encontra em uma situação carente. Hospitais precários, saúde pública nem se fala. Escolas caindo aos pedaços.... Então ali não tem outra explicação. Todos nós somos vítima da má governança”, afirmou.

O intercambista de Guiné Bissau, Siaca Dabo, disse que os africanos são vítimas da má governança (Foto: Reprodução/TV Mirante)
O intercambista de Guiné Bissau, Siaca Dabo, disse que os africanos são vítimas da má governança (Foto: Reprodução/TV Mirante)

No ginásio Costa Rodrigues, onde estão abrigados, os africanos resgatados tiveram o apoio de outros compatriotas. O estudante de Guiné Bissau, Marcelino Soares, disse que fez questão de ajudar com a comunicação entre eles e as autoridades brasileiras assim que soube do caso.

“Assim que eu soube dessa situação, eu percebi que o mínimo que eu poderia fazer era vir, pegar as informações básicas do que está aconteceu para ver o que, dentro dessas informações, eu posso me expressar no sentido de ajudar nessa conciliação entre governo e eles. Até porque vai ser um embate. A maioria deles vieram de países que eram de colônias francesas ou inglesas. Então a questão da comunicação da língua portuguesa ainda é uma barreira. Então estou aqui para facilitar essa comunicação”, afirmou.

Marcelino Soares (primeiro à esquerda) conversa com alguns dos africanos resgatados no Maranhão (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Marcelino Soares (primeiro à esquerda) conversa com alguns dos africanos resgatados no Maranhão (Foto: Reprodução/TV Mirante)


A esperança de uma vida melhor foi o combustível do grupo que ficou à deriva na costa maranhense. Mucqtaer Mansaray, de Serra Leoa, falou que se arriscou na viagem ao Brasil por conta da dificuldade financeira em pagar a universidade e pela realidade vivida em Serra Leoa nos últimos anos. Ele se diz estudante de ciência da tecnologia.

“Vim porque, no meu país, Serra Leoa, tivemos guerra. Depois da guerra, a chuva matou muita gente. Também teve ebola, a doença, e não houve possibilidade de pagar universidade”, explicou.

Mucqtaer Mansaray, de Serra Leoa, disse que se arriscou na viagem ao Brasil por dificuldades em pagar a universidade (Foto: Reprodução/TV Mirante)
Mucqtaer Mansaray, de Serra Leoa, disse que se arriscou na viagem ao Brasil por dificuldades em pagar a universidade (Foto: Reprodução/TV Mirante)



Prisões
A Justiça Federal já decretou a prisão dos brasileiros Josenildo Nascimento e Silvio da Paixão Freitas. Segundo as investigações, os dois seriam ‘coiotes’ e teriam recebido dinheiro pra fazer o transporte ilegal dos africanos de Cabo Verde até o Brasil. A embaixada de Cabo Verde no Brasil informou que vai tomar medidas para reprimir esse tipo de tráfico de pessoas tendo o seu país como ponto de partida.

“Vamos, com certeza, usar os mecanismos de cooperação entre os dois estados de modo a que possamos prevenir e reprimir esse tráfico”, declarou o embaixador Domingos Dias Mascarenhas.

O historiador Henrique Borralho explicou que o Brasil é atrativo para quem foge das guerras, pobreza extrema e da grande instabilidade político-econômica na África.

“Em primeiro lugar, é o acordo internacional de recebimento de refugiados e imigrantes. Em segundo lugar, no caso de países de Língua Portuguesa, a facilitação com o idioma; e em terceiro, a questão do desenvolvimento econômico que, de fato, mesmo em crise, é melhor do que os países que vivem problemas econômicos e políticos, como o caso dos Africanos”, explicou.

FONTE: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/intercambistas-africanos-oferecem-ajuda-a-imigrantes-resgatados-no-maranhao.ghtml